sábado, 4 de junho de 2011

ESCAPA-SE-ME QUALQUER COISA



Alguém foge á polícia depois de ter sido mandado parar. Há uma perseguição e, nessa perseguição, um polícia dispara contra o veículo. Por "azar" a bala mata o fugitivo que não obedeceu á ordem das fôrças de segurança e o agente policial é condenado? Não entendo. Qual é a ideia que se quer passar á sociedade relativamente á nossa segurança/justiça? Que as nossas fôrças de segurança não devem cumprir com o seu dever, para o qual são pagas com os nossos impostos? Ou que se pode e se deve desrespeitar a autoridade das mesmas, para dar lugar a um aumento ainda maior da criminalidade? Os valores andam invertidos, ou então sou eu que já não percebo nada disto.


Armindo Cardoso
DIA DE REFLEXÂO


Hoje, véspera de eleições, é dia de reflexão. Pergunto-me a mim próprio para que serve essa reflexão. Os que querem votar vão votar, os que não querem não vão. Os que votam num partido como se de um clube de futebol se tratasse, vão votar naquele que sempre votaram, independentemente se esse partido e seu lider fizeram ou não um bom trabalho. Os que votam em consciência já sabem em quem votar. Ainda há os que são apologistas do voto útil, o tal que nos trouxe um País inútil. Os outros.... Bom, os outros, votarão em branco ou de "olhos fechados" o que quer dizer, á sorte. Por isso... Para quê um dia de reflexão?
Armindo Cardoso

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O Estado Ladrão


Tenho pena de viver num País em que, as instituições do Estado, cada vez sejam mais mal vistas e não consigam ter, por parte da população que deviam servir, um crédito digno das funções que os seus colaboradores/funcionários pretendem desempenhar.

Este meu desabafo, vem no seguimento de ver continuamente há anos, o roubo a que uma familiar minha tem vindo a ser sujeita por parte das finanças, a qual, por falta de pagamento de um verba, que a meu ver já por si injusta, mas isso é outra conversa, condena a dita familiar à penhora da conta bancária, no valor da dívida mais juros de mora.


Passo a explicar: Considero um roubo porque, a dita pessoa, não paga não porque não quer, mas sim porque o Tribunal nunca mais resolve libertar a conta da dita pessoa, que se encontra num processo de partilhas em que ela é a única herdeira e mais, a conta já estava em nome dela antes do começo do dito processo de partilhas. Daí que, não havendo outras possibilidades económicas para fazer face ao dito pagamento nas finanças, avisou-se a Instituição do Estado que a falta de pagamento se devia a um atraso por parte do Tribunal no dito processo não havendo ainda autorização para levantamento das verbas necessárias.


Pelo que sei, o próprio Tribunal chegou a enviar uma nota, dando conhecimento disso mesmo para a repartição das Finanças em causa. Pois é, mas parece que ninguém quer saber disso, porque nem o tribunal dá despacho favorável á situação, nem as finanças esperam que um serviço do próprio Estado, como o são as finanças, trate convenientemente do assunto, avançando a Repartição dessa Instituição para penhora da conta no valor das verbas pedidas e, coisa que me ainda mais me revolta, com juros de mora. Mas juros porquê? Se há dinheiro para pagar e só não se paga porque o tribunal não cumpre com o seu dever atempadamente.


Já o pagamento que é pedido é injusto, mas isso é outra história que dava outra página ou mais para explicar o porquê dessa injustiça, quanto mais os juros de um atraso, que não é culpa da contribuinte, em que ela também não disse que não pagava e, do qual, as finanças foram avisadas pelo próprio tribunal, que o assunto estava em processo de partilhas. Partilhas essas que também não se entende, na medida em que só há uma herdeira e essa conta, antes do início do processo já estava em nome da mesma, não tendo, por isso, nada a ver com dito processo.


Baralhadas que arranjam para quem, não tendo hipóteses de se defender, mas que ainda tenha algum de seu, acabe por perder tudo. Ou seja, acabe por ser roubada, que é o que este Estado nos tem vindo a fazer desde….


Mal de nós, se nos deixarmos continuar a ser roubados indiscriminadamente, desta ou de outra maneira, e não levantarmos a nossa voz contra estas injustiças. É que os senhores/as funcionários/as públicos/as, cujo Estado os elevou á condição de cidadãos/cidadãs de primeira, com emprego seguro e ordenado fixo e certo ao fim do mês, não querem saber das desgraças dos outros cidadãos, os de segunda, dos quais eles dependem mas que não respeitam e, por isso, tratam como querem e lhes apetece, como se de "barriga cheia" estivessem, cidadãos esses que esperam ser defendidos/ajudados, em última instância, por esses funcionários/as.


Sei que nos dias que correm, as coisas nessa matéria do atendimento tem mudado, mas o espírito continua o mesmo, senão o director, o chefe de secção ou quem de direito já teria averiguado convenientemente este caso, logo assim que recebeu a notificação do tribunal em como o dinheiro estava preso por questões lá deles – Tribunal -, que são também funcionários do Estado.


Claro que, perante uma situação destas, não é demais poder-se pensar, que isto faz parte de algum complô perfeitamente normal e autorizado, com a finalidade de ir roubando, com apoio legal, os contribuintes que não se podem defender, ou que cuja defesa não mereça a pena pelos custos versus ganhos.


Com um Estado assim, qual a vontade que um cidadão tem de contribuir com o que quer que seja? Ainda há quem se admire que as filas na Segurança Social sejam cada vez maiores? E que haja cada vez mais gente a viver do rendimento mínimo? Eu sei que esse rendimento é pouco, em termos quantitativos de dinheiro para cada um, mas façamos contas: se uma pessoa sai de casa e, porque vai trabalhar, tem que pagar os transportes ou gasolina do seu carro, pagar casa ao banco ou renda de casa e todas as despesas inerentes como luz, água, mais imposto de IMI, taxas de passagem do que quer que seja, taxas de resíduos sólidos, etc., levanta-se cedo e chega tarde a casa, por vezes nem chega a ver os filhos acordados, andando os mesmos ao "Deus dará", sacrifica-se, cansa-se todo o mês nestas lides, gasta horas seguidas umas atrás das outras, numa luta interminável, para depois ver que o dinheiro não só não chega para as suas despesas mais básicas, como vê a sua condição de pobreza aumentar. Enquanto os outros, os tais que vivem com o pouco que conseguem nos subsídios, não têm que se levantar cedo, sacrificar-se a irem trabalhar - de qualquer maneira já nem sequer querem sair da sua condição de pobres, ou já perderam a esperança disso -, por vezes até têm casas das autarquias dadas ou com rendas muito baratas que, como não lhes custam nada, as destroem e mal tratam, também há aqueles que nem sequer se dignam sair das casas dos seus familiares, ficando por lá eternamente e, pelo que eu já disse, conseguem por vezes fazer melhor vida que os outros que trabalham e produzem alguma coisa.


Pergunto: Isto é justo? A meu ver não o é. Mas como o Estado vai roubando as pessoas das formas mais injustas e de todas as maneiras possíveis e imaginárias, numa ânsia indesculpável de continuar a manter uma mordomia a que se foi habituando ao longo dos anos, não me admira que as filas na Segurança Social vá engrossando, e penso que não será apenas pela falta de emprego, será também pelo que atrás expus.


O conceito geral é o seguinte: “Não vale a pena fazermos nada!!!!”


Acho que este Estado não merece o povo que tem, ou…. Se calhar há quem pense que é o povo que merece o Estado que tem, em qualquer dos casos há muitas injustiças destas e não só, de Norte a Sul de Portugal. Por mim, não me calarei.


Não basta mudarem as “moscas”, também é necessário que mude a “porcaria”.


Armindo Cardoso

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A Inviabilização do empréstimo a Portugal


Independentemente das razões que assistem ao povo da Filândia ou a qualquer outro do espaço Europeu, há uma coisa que, pelos vistos, ainda há muita gente não compreendeu. O Mundo está em mudança constante, as esferas de influência e geo-estratégicas, quer militar quer económica, estão a passar para outras áreas do globo, com isso quero dizer que, se a Europa não começa a agir como uma verdadeira união, virá o momento em que ficaremos entre a "espada e a parede", que é o mesmo que dizer que ficamos "entalados" entre a Ásia - com a China á cabeça - e a América - com os U.S.A. no comando -. Será isso que os Europeus querem, sem depois poderem ter uma voz activa e participativa nos destinos globais? Se é isso, só posso lamentar as vistas curtas desta Europa envelhecida de preconceitos e arruinada e os seus políticos que não têm visão do futuro e que não estão a saber defender as gerações Europeias do futuro. A continuar assim, não seremos mais do que uma manta de retalhos de uns pseudo países que se querem afirmar neste Mundo global, mas que não terão qualquer fôrça, quer militar quer económica, que possa sustentar as suas ambições e estabilidade.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

-Terapia de Choque a Portugal -

Título de uma notícia na imprenssa de hoje - 11 de Abril de 2011 - que dava conta das privatizações que as organizações Internacionais - FMI e Europa - querem em Portugal e que me levou a escrever o seguinte comentário:

Em vez de procurarem gestores competentes e responsáveis, demitindo quem não tem capacidade e sem indemnizações pelo facto de serem demitidos - situação que não interessa -, prefere-se delapidar o pouco que ainda - de serem bem geridas as empresas -pode dar lucro ao Estado. Não discuto a necessidade de o fazer dado o estado a que deixaram chegar este País. Mas pergunto: Não terá tido mesmo que ver com um propósito bem definido, com uma estratégia concertada pelos vendidos aos interesses internacionais e ao capital estrangeiro e apátrida, para que a situação chegasse ao ponto a que chegou, com o objectivo de posteriormente se acabar por verificar a extrema necessidade de uma decisão de delapidar o pouco que ainda temos? Quiseram acabar e acabaram, pós 25 de Abril, com os Estados Ultramarinos e com o comércio que mantínhamos com esses Estados, com a desculpa de não quererem a guerra, coisa que eu também não queria, acabaram precipitadamente e na confusão criada e generalizada de entregarem os mesmos ao controlo de outros Países, como Rússia, através de Cuba, China e Estados Unidos que ansiavam por pôr os pés lá, e fizemos a vontade a outros países invejosos, como o Reino Unido, França, Holanda, Alemanha, Bélgica, que já tinham perdido as suas provícias ultramarinas e não conseguiam aceitar que Portugal, que não tratava os povos dessas regiões como outros povos colonizadores o fizeram durante o seu período colonial, como por exemplo Inglaterra na India, ou na África do Sul, continuasse nessas regiões, ainda por cima conseguindo aguentar-se numa guerra em várias frentes, não movida pelos povos em geral, mas sim por uma quantidade de mercenários, a soldo precisamente de alguns desses Países, com uns chefes á cabeça, que mais não eram do que bandidos uns e outros ingratos que tinham andado a estudar em Portugal á conta do Estado contra o qual quiseram, depois de servidos, entrar em confronto com quem lhes deu a "mão"; também pós 25 de Abril, acabaram com a grande indústria que havia em Portugal, afugentaram quem tinha dinheiro e dava emprego, fazendo a população em geral, acreditar que todos podiam ser ricos e patrões, não necessitando de receberem ordens de ninguém, viu-se o resultado; continuaram ao longo dos anos o seu trabalho de destruir Portugal, a fazerem-nos ficar sem agricultura, sem as pescas, a darem todos os passos necessários com o intuito de fazerem fechar muitas das pequenas e médias empresas, obrigando a um aumento do desemprego, cujo objectivo é o de poderem contratar a melhor preço os possíveis novos trabalhadores e, pelo medo de perderem os seus postos de trabalho, fazerem aceitar pelos antigos, as condições que querem impôr; por outro lado, fazem com que a concorrência das pequenas e médias empresas termine, ficando as grandes empresas quase com os monopólios dos serviços, da industria e comércio, da distribuição, telecomunicações e, agora, até nas energias alternativas, etc., etc.. Depois, como se isso não fosse suficiente, trataram de nos empurrar para uma situação de dependência do subsídio, em vez de apoiar quem de facto queria trabalhar e empreender, com que propósito? Não foi por causa da preocupação social, não, - claro que nestas histórias haverão sempre pesssoas muito bem intencionadas - mas para mim foi com um propósito mais bem engendrado, foi para nos colocar numa situação de dependência do Estado para que não tenhamos vontade de protestar, com medo de se perderem essas regalias. Daí que, os tais vendidos, foram podendo fazer o que quiseram deste País sem grandes lutas contra o facto, não fossem perder o direito aos tais subsídios. Eles eram subsídios para não produzirem, eram dados por se chovia, se não chovia, se havia seca, se alguém era filho de uma pessoa do círculo de amizades que interessavam, ou estava disposto a largar alguma "comissão", mesmo que a ideia não fosse funcionar, lá havia mais um subsídio á espera para o "artista",enfim, ao longo dos anos, foi de facto um "ver se te avias". Depois, foi-se habituando as pessoas ao crédito fácil, na boa vida com pouco dinheiro - por isso a facilidade no crédito -fazendo crer a todos no emprego seguro para toda a vida, para alguns anos depois, criarem esta situação de crise e agora, tiram tudo deixando uma quantidade enorme de pessoas na desgraça. Sinceramente não acredito em tamanha incompetência, nem meninos de escola faziam tão grande asneirada, por isso, para mim, continuo a dizer, fomos alvo de uma conspiração concertada pelos traidores a esta Nação. Resumindo, creio que quem nos governou nestes últimos anos pós 25 de Abril, não foram Portugueses, foram antes mercenários ao serviço do poder estrangeiro da Europa e da América, sem contar claro, da Rússia antes da queda do Muro de Berlim. E, agora, que a China entrou na corrida pelo controlo da Europa, vamos ver que traidores vão andar por aí a entregar a Europa á China. Estamos começando bem em Portugal, basta ver a quantidade de lojas chinesas e a quantidade de produtos oriundos da China, sem contar com as viagens que já foram feitas dos nossos governantes com empresários, - tudo pago pelo contribuinte -, para irem procurar novas oportunidades de negócio, como se cá não fossem necessários investimentos. Como disse e volto a repetir, é demasiada incompetência junta para que eu acredite, que haja alguém tão burro que não veja o que anda a fazer.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

O Pedido de ajuda externa


O que mais me desgosta nesta situação toda é que, esta cambada de amostras de políticos, já deviam, há muito, ter tomado as decisões que evitariam esta situação. Como todas as medidas que são necessárias são impopulares, os senhores socialistas nunca as quiseram tomar. Agora, que o dinheiro já começava a faltar, preferiram que viessem as instituições de fora, dizer o que precisamos de fazer, para depois, esses mesmos socialistas que nos meteram nesta embrulhada, virem á televisão deitarem as culpas para tudo e todos, como se fossemos todos estúpidos, ignorantes e com falta de memória, que não saibamos muito bem o que se passou nestas últimas duas décadas. Só tenho pena que, os verdadeiros responsáveis não sejam julgados por gestão danosa, os ladrões que roubaram o erário público não sejam presos, e os especuladores detentores de produtos de 1ª necessidade, não sejam penalizados pela sua actuação especulativa, abusadora e gananciosa. O Socialismo só é bom, quando se tem e se pode gastar o dinheiro dos outros. Quando ele acaba, o socialismo acaba também. Agora, vamos ter que pagar por termos consentido tanto desperdício, tanto emprego na função pública, para dar lugar aos "boys" e ir mantendo os números percentuais do desemprego controlados, de dar tantos subsídios para nada se fazer, ou então, sem estarem controlados os dinheiros desses mesmos subsídios, de querermos fazer tanta obra, que só serviu para encher os bolsos dos accionistas das grandes empresas e dar trabalho aos estrangeiros, que ainda assim não deixaram de ser explorados e que, agora no desemprego, estão de mão estentida na Seg. Social, sem contar com os grandes ordenados que se pagaram a administradores á frente de empresas que davam, e continuam a dar, prejuízos em nome do serviço público e, para finalizar, vamos pagar por termos permitido que Empresas do Estado, que davam lucro e outras que, bem geridas, podiam dar lucro, terem sido entregues ao privado, deixando o Estado de ter receitas adicionais que ajudassem a equilibar as contas públicas. Vendeu-se o bom, ficou-se com o que não interessa por estar mal gerido - e esse é o propósito, dar prejuízo, para o Estado acabar por ser obrigado a entregar ao privado que, depois, já consegue tirar lucro - e agora, vamos ter que pagar por todas as mordomias, e pela incompetência destes "aprendizes de feiticeiros", que nos quiseram governar desgovernando-nos e, com o todo o descaramento possível e sem qualquer vergonha, nos mentiram ao longo destes anos todos.

sexta-feira, 4 de março de 2011

EDP - A ladra que nos rouba

O título que escolhi para escrever sobre a EDP pode parecer duro demais para qualificar o que esta empresa faz em Portugal, mas não é. Senão vejamos. Esta empresa tem tido ao longo dos anos várias facilidades para expandir e desenvolver o seu negócio, mas só vou mencionar algumas das mais evidentes: Utiliza o espaço territorial pertencente ao Estado Português, que somos todos nós; retira dos rios, que são de todos, a energia que depois nos vende; tem tido elementos da sua administração a fazer parte de diversas comitivas governamentais quando são feitas deslocações ao estrangeiro, na procura de novas oportunidades para empresas Nacionais, que são pagas por todos nós; aumentou os preços das facturas ao consumidor para procurar capital adicional para investir no estrangeiro e também para investir nas energias alternativas; continua impunemente a aumentar, a seu critério, o valor das facturas ao consumidor, numa procura incessante de acumular lucros fabulosos, eu diria quase escandalosos e imorais, perante as dificuldades que todos sabemos, que o País atravessa. Estas facilidades, adicionadas ao comportamento algo ditatorial que utiliza, no seu relacionamento com os seus clientes, são para mim mais que evidentes, sendo que, ainda tem quase completamente o monopólio da energia eléctrica em Portugal, estando a tomar a dianteira - mais outra facilidade - no campo das energias alternativas através do valor que injustamente é pago a mais nas facturas da electricidade e que é redireccionado para outros investimentos nessas energias. Não tenho nada contra uma empresa que seja lucrativa, através de uma boa gestão e de uma boa visão estratégica no que concerne aos investimentos que faz, e ao caminho que traça para o seu desenvolvimento futuro. O que eu já não concordo é com uma gestão que é feita apenas na procura incessante do aumento dos lucros, apenas para satisfação dos seus accionistas, numa área em que é quase monopolista, pagando a gestores e administradores valores principescos, além dos falados bónus anuais, ou não. Depois de toda esta reflexão, que é feita pelo conhecimento de causa que tenho sobre a EDP, não posso de maneira nenhuma estar de acôrdo com as margens de lucro desta empresa. Vem há dias o Sr Mexia dizer que o lucro divulgado na comunicação social acontece pela bom desempenho da empresa no estrangeiro. Pois até pode sêr, aliás, não tenho motivo para não acreditar que não seja assim. Pergunto então: E o que ganha o nosso País, com tais investimentos no estrangeiro, feitos por uma empresa que nos suga o que pode e o que não deve? Sei que os investimentos necessários são sempre muito avultados, mas que tipo de apoios são disponibilizados pelo Estado Português? Não contam para nada? O valôr dos custos de produção são assim tão grandes que nos tenham que cobrar a electricidade ao preço que nos é cobrada, quer no particular, quer nas empresas? Ou apenas a percentagem de lucro é adicionada simplesmente na mira daquilo que já referi anteriormente, na busca pura e simples da acumulação de lucros fabulosos? Qual é então a margem de lucro que é posta em cima dos custos de produção? E nesses custos de produção, não haverá algum tipo de desperdício que nos obrigam a nós a pagar, nas tais facturas da electricidade? Sem contar com todas estas dúvidas, e com aquilo que julgo saber, ainda há uma atitude do tipo ditatorial que esta empresa exerce sobre todos os seus clientes que se revela da seguinte forma: Uma factura vem para pagamento até determinado dia que, por coincidência (?), é a pouco mais de meio do mês. O cliente não paga logo e é dado a ordem de corte poucos dias depois. Mesmo que o cliente pague, se o computador da empresa já tiver emitido a ordem de corte, ainda que a electricidade não tenha sido cortada, exigem para além do valor da factura, uma verba adicional de 26 euros e alguns trocos, para religar a luz. Ora bem, isto é quase a mesma coisa que pôr o pé no pescoço de um moribundo, sabendo nós das dificuldades que se estão a atravessar. Por outro lado, esta empresa que dá uma imagem cá para fora, de competência, honestidade, seriedade e de ter um bom relacionamento com os seus clientes, não consegue distinguir o cliente que paga sempre, mas que em determinada altura se descuida, ou que, por qualquer dificuldade momentânea, se atrasa com o pagamento, com um outro que continuamente se descuida, se atrasa, ou pura e simplesmente não paga por se querer escapar a esse pagamento. Como se pode dizer, fazem pagar o justo pelo pecador, o que revela um tratamento algo impessoal e descuidado, mostrando uma falta de respeito, por quem anos a fio, vai pagando a sua factura, mesmo que, algumas vezes, ao longo desses anos, fora de prazo. Eles sabem que têm nas mãos um dos bens de primeira necessidade mais preciosos ao desenvolvimento e bem estar da sociedade, bem como ao desenvolvimento e crescimento da economia do País, por isso, fácilmente tomam a decisão de cortar ou mandar cortar a energia, assim que há um atraso no pagamento de uma factura. Por outro lado, sabem que, se qualquer cliente quiser ir a tribunal para dirimir qualquer questão em que se sintam prejudicados, pela complicada, demorada e cara justiça que temos, a maioria nem sequer vai avante com qualquer iniciativa que preveja esse caminho. Já a EDP, porque tem advogados avençados ou pagos mensalmente ao serviço da mesma, é-lhes mais fácil pôr qualquer cliente sentado no banco dos réus, mesmo que a razão não esteja totalmente do lado da empresa. A isto eu chamo abuso de poder e comportamento ditatorial. Poderia continuar a encontrar motivos para que, uma empresa como a EDP, na minha opinião, não devesse saír da esfera do controle do Estado Português, mesmo que, para isso, tivesse que haver uma nacionalização. Fazia muito mais sentido uma nacionalização numa empresa como a EDP, do que aquela nacionalização feita ao BPN, só que não vejo que se tomem as iniciativas adequadas para que o controle de um bem tão precioso como a energia, esteja exclusivamente nas nossas mãos, ou seja, nas mãos do Estado Português. Como outros negócios que por aí há, este é um daqueles a que eu chamaria de "negócio da China", que, sabe-se lá porquê - é claro que eu sei -, é entregue injustificadamente nas mãos de especuladores e gananciosos, sem ética ou moral de qualquer tipo, com a única preocupação de encherem desmesuradamente os bolsos á conta de todos nós.

Armindo Cardoso